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18/01/2014

Crítica - DVD Dentro de Casa.


"Um grande filme que aborda relação professor e aluno e sua forma de escrever a realidade do cotidiano!" (Exxa) 

"Uma aula de narrativa da relação do espectador e autor" 
(Marcelo Owada) 

Desde que Flaubert instaurou o Realismo na literatura com seu polêmico romance Madame Bovary, nunca mais a intimidade das pessoas foram vistas com os mesmos olhos. Com seu olhar irônico, ele derrubava todos os velhos valores da burguesia através da história de uma dona de casa entediada que encontra no adultério, o refúgio de seus desejos mais reprimidos pelas convenções impostas pela sociedade. Já no século XX, Alfred Hitchcock fez uma de suas maiores obras-primas: Janela Indiscreta (Rear Window, 1954), um fotógrafo que vive perigosamente que fica paralisado por causa da perna quebrada e com suas grandes lentes, espia a vizinhança até o momento em que “percebe” que uma mulher poderia ter sido assassinada pelo marido.

Em Dentro da Casa (Dans la Maison), o filme conta a história de Germain (Fabrice Luchini), um professor de francês cansado da rotina e que reclama constantemente, até que corrigindo algumas redações sobre o fim de semana de cada aluno, uma delas escrita pelo aluno Claude Garcia (Ernst Umhauer), conta sobre sua passagem na casa de um amigo chamado Rafa e as impressões sobre sua família, se adentrando na intimidade daquela família de classe-média, deixando um (continua...) no final. A partir dali, o professor de literatura se torna um leitor ávido, que pouco a pouco começa a se envolver diretamente naquela estória que era descrita de texto em texto, simplesmente para continuar a ler.

Baseado na peça de Juan Mayorga, o modo como François Ozon trabalha com a metalinguagem é de uma sutilidade e criatividade sem igual, ao mesmo tempo em que ele expõe aquela ficção/realidade escrita como um folhetim por Claude, é interessante o modo como brinca com o espectador e deixa em dúvida até onde aquilo é verdade ou fictício; enquanto que Germain é apenas o espectador, passivo perante os acontecimentos da casa narrados pelo seu pupilo a escritor. Temos apenas o olhar distante, mesmo que invasivo (olhar pelo buraco da fechadura), e deixa claro em uma passagem quando Germain e sua esposa Jeanne (Kristin Scott Thomas, linda em uma atuação excelente e minimalista) estão no cinema e a câmera foca a luz do projetor e corta para a estória contada em off por Claude.

Assim como ele lida a relação do espectador/obra/autor como uma análise para o cinema, não faltam menções a literatura, de autores como La Fontaine e principalmente Gustave Flaubert, e quem já leu Madame Bovary (tanto a obra quanto sobre ela) perceberá semelhanças com os textos escritos por Claude, em episódios (assim como Flaubert fez com sua obra antes de lança-la em livro), em uma trama que envolve a esposa entediada com a rotina que flerta com um rapaz mais jovem, “personagens” com desejos reprimidos e frustrados em questões demasiadamente particulares, por trás da fachada de uma família feliz e normal, através de um olhar intimista, porém sarcástica e em certos momentos, até cruel.

Fabrice Luchini e Ernst Umhauer estão espetaculares como o espectador/mentor e autor/aluno, e torna crível esta relação onde há uma troca mútua de conhecimentos, onde deixa explícito algumas passagens que permeiam a visão de Claude de sua leitura daquela típica família burguesa, mas para o espectador em si, nós somos os alunos e espectadores de uma fantástica aula de cinema e narrativa.

No fim, François Ozon fecha as cortinas para aquela história, onde se chega a um desfecho e seus personagens tem os seus conflitos resolvidos e seguem seus rumos, mas deixa aberto para cada um que assiste uma casa para contar sua própria história.






07/04/2012

Já disponível na Exxa Filmes a "Trilogia da Morte/Caos" (Amores Brutos, 21 gramas e Babel)

Utilizando a Teoria do Caos para propagar visão pungente e nada alegre sobre o mundo, trilogia de filmes acaba por construir corpo e alma com vida própria.
 
Intitulada pelo próprio diretor como Trilogia do Caos, o mexicano Alejandro Gonzáles Iñarritu criou em seus três primeiros longas-metragens um retrato relevante e afiado sobre a relação humana. Partindo da Teoria do Caos, que diz que o bater das asas de uma borboleta pode causar um furacão (resumidamente falando), Amores Brutos (2000), 21 Gramas (2003) e Babel (2006) formam um emaranhado de personagens cujos anseios são, antes de qualquer coisa, o de darem seguimento às suas respectivas vidas. Porém, tais cursos são desviados ou interrompidos (direta ou indiretamente, abrupta ou singelamente) pela interação com as pessoas.
Quanto ao formato dado à trilogia, dizer que a narrativa fragmentada tão utilizada por Iñárritu é um artifício repetitivo, batido, é o mesmo que dizer isso sobre a narrativa linear. Tanto uma quanto a outra, servindo a propósitos, devem ser usadas pelo o que são: ferramentas de narração. Em Amores Brutos, o desmembramento serve a uma ideia enquanto fio condutor; em 21 Gramas, a dramaticidade é elevada às alturas pelo mosaico de cenas; e em Babel transformar a narrativa em estilhaços não atende ao quesito, mas o quesito em si já é o bastante.
Em Amores Brutos é jogada a ideia: três pessoas distintas, que nunca se viram ou sequer se conhecem, interferem uma na vida da outra através de um acidente de carro. É este acidente o cerne dramático do longa, o divisor de águas para aqueles personagens. Antes, paixões, vontades, metas e o futuro. Depois, a incerteza do que está por vir, a insegurança.
 
No caso de 21 Grama há grandes diferenças apesar de certa similaridade – mais uma vez, um acidente de carro tem papel crucial. No entanto, ao contrário do metal distorcido e inutilizado que refletia na frieza (distância) entre os personagens de Amores Brutos, aqui é a relação entre eles que ganha destaque. A montagem toda entrecortada e propositalmente embaralhada traz um maior requinte e reforça mais ainda os aspectos dramáticos da trama.
Já em Babel temos um ápice conceitual. Apesar da narrativa fragmentada já não funcionar (a não linearidade é desnecessária enquanto reforço dramático, o que acaba soando apenas como exibicionismo), é a ideia plantada lá no início, emAmores Brutos, que cria corpo. Usando a Torre de Babel e consequentemente sua miscelânea linguística como analogia, Iñárritu monta uma torre com personagens para alcançar o Deus que mais intervém na vida dos seres humanos: o próprio ser humano.
Essa torre pode ser vista enquanto uma pessoa, um ser vivo, um Frankenstein por assim dizer, com cada membro, personagem, formando uma determinada fase deste ser. Debbie e Mike, filhos do casal americano que vão para o México: infância; Yussef e Ahmed, dois garotos marroquinos: pré-adolescência; Chieko, a garota japonesa surda e muda: adolescência; Amelia, a mexicana responsável por Debbie e Mike que os leva até um casamento, e os pais das crianças, Richard e Susan: vida adulta e aproximação com a morte.
 
Todos eles experimentam as mais terríveis situações provocadas pela negligência e o descaso de outra pessoa, sempre dentro de um contexto condizente com suas realidades. Debbie e Mike são duas crianças que passam por um trauma justamente por não terem autonomia. Yussef, o mais novo, em plena puberdade, e Ahmed, o mais velho, travam a típica disputa de superioridade entre irmãos enquanto tentam chamar a atenção do pai, e com isso geram um desastre. Chieko, por não falar e nem ouvir, possui uma percepção diferente do que está ao se redor, obviamente, e é vista como uma observadora, um intrusa no seu próprio mundo, apesar de nutrir os mesmo sentimentos e vontades que as outras pessoas – ela se vê deslocada devido à maneira como a sociedade lhe vê. Amelia, uma mexicana que trabalhou nos EUA por 16 anos, e que por um ato irresponsável culmina em outro de maior magnitude, faz a ponte narrativa entre o casamento, o matrimônio em si. E o casal de americanos, por sua vez, vive uma relação na qual a infelicidade é acometida pelos próprios – eles mesmos prejudicam um ao outro e são vítimas de suas próprias insatisfações.
Como um ser vivo que anda cambaleante por entre vidas, Babel traça uma linha entre as diversas culturas, dialetos, e o ser humano que é mais tênue e perigosa do que aparenta justamente por sermos todos, no final das contas, seres humanos. Ou seja, apesar das diferenças nós dividimos os mesmos sentimentos, anseios, vontades, as mesmas emoções e, nesse sentido, a mesma percepção do mundo. O único – e maior – problema, segundo Iñárritu e a sua Trilogia do Caos, é que o caminho traçado pelo ser humano pode ser drasticamente desvirtuado unicamente por ele mesmo.
Amores Perros – 2000 – 5/5.
21 Grams – 2003 – 5/5.
Babel – 2006 – 4/5.
Amores Brutos (Trilogia da Morte 1)
Gênero: Drama
Resumo: Considerado uma das revelações do atual cinema mexicano, o filme narra três histórias de pessoas que têm em comum os conflitos afetivos e o amor incondicional pelos cães. A trajetória destes três personagens - um rapaz que vive no subúrbio, uma modelo famosa e um mendigo - se entrelaça numa violenta batida de automóvel.

Diretor: ALEJANDRO GONZALES INARRITU

Elenco: EMILIO ECHEVARRIA & GAEL GARCIA BERNAL & GOYA TOLEDO & VANESSA BAUCHE

Classificação / Faixa Etária: 14 ANOS

Duração:143 MIN

Origem: EUA

Idioma: Inglês / Português

legenda: Inglês / Português

Data de Lançamento: 2001

21 gramas (Trilogia da Morte 2)
Gênero: Drama
Resumo: Paul Rivers é um matemático que ganhou um novo coração e precisa agarrar essa segunda chance. Cristina Peck é uma mãe que perdeu toda a família e se volta às drogas como consolo. E Jack Jordan é um ex-presidiário que busca na Bíblia a redenção, mas se envolve num trágico acidente. Três histórias que se entrelaçam numa trama que não deixa o espectador tirar o olho da tela.

Diretor: Alejandro Gonzales

Elenco: Sean Bean, Benicio Del Toro e Naomi Watts

Classificação / Faixa Etária: 16 anos

Duração:125 min

Origem: EUA

Idioma: Inglês / Português

legenda: Inglês / Português

Data de Lançamento: 2004

Babel (Trilogia da Morte 3)
Gênero: Drama
Resumo: A dor é universal... Mas também a esperança. Terceiro filme da trilogia do aclamado diretor Alejandro González Iñárritu (Amores Brutos, 21 Gramas), Babel é um emocionante e envolvente filme sobre as barreiras que separam a humanidade. Um trágico acidente no Marrocos deflagra uma sucessão de eventos que irão ligar quatro grupos de pessoas, divididas por diferenças culturais e longas distâncias, que vão compartilhar um destino que vai conectá-los definitivamente.

Diretor: Alejandro Gonzales

Elenco: Brad Pitt, Cate Blanchet e Gael Garcia Bernal

Classificação / Faixa Etária: 16 anos

Duração:143 min

Origem: EUA

Idioma: Inglês / Português

legenda: Inglês / Português

Data de Lançamento: 2007

20/02/2012

“Cartas para Deus” um filme que vai emocionar você!

  20 DE SETEMBRO DE 2011

Tive o praser de ver o filme “Cartas para Deus”, onde o filme conta a história Tyler Doherty (Tanner Maguire) que tem 8 anos e sofre de câncer, os médicos estão desacreditados sobre suas chances de vida. Apesar da situação difícil Tyler coloca sua fé em Deus acima de tudo, por meio de cartas diárias começa a escrever um diário sobre suas esperanças de que algum anjo possa salvá-lo.
O filme “Cartas para Deus” é um lindo é emocionante filme. Infelizmente este tipo de filme não chega aos cinemas e nem passam nas televisões. Atraves deste filme, pode-se ajudar outras pessoas que estão passando ou já passaram por esta mesma situação. Além de ajudar os familiares e amigos, dando forças e mostrando que Deus está no controle e tem um proposito para tudo. Ele é maravilhoso e a cada nova batalha na vida de cada um transforma e nos deixa mais proximos dele é do Pai.
O filme que traz as cartas de um jovem que tem câncer, mas que nunca deixou de acreditar que Deus tinha um proposito maior para a vida dele. E que atraves da vida dele outras pessoas poderiam conhecer a Deus e toda a sua bondade. Deixe Deus agir em seu coração e em sua vida. Que Ele seja luz por onde você andar. Que Ele traga alegria onde houver tristeza. Que Ele traga força para os fracos. Passe esta mensagem para todos aqueles que você ama.
“Porque já é manifesto que vós sois a carta de Cristo, ministrada por nós, e escrita, não com tinta, mas com o Espírito do Deus vivo, não em tábuas de pedra, mas nas tábuas de carne do coração.”  2 Coríntios 3:3
Deixo para vocês algumas das belas músicas que tocaram durante o filme. São lindos hinos de adoração que irão emocionar vocês. Espero que assim como o filme me emocionou e abriu os meus olhos este filme possa fazer o mesmo por você e para aqueles que você ama!

Para saber mais sobre o filme e ver o trailer clique aqui!

20/01/2012

UM OUTRO OLHAR SOBRE OS FILMES...

Alguns filmes como Cleópatra, Os dez mandamentos, O príncipe do Egito, A Múmia, O Escorpião Rei, entre outros, contribuem muito para criar uma falsa idéia a respeito do modo de vida do Egito Antigo.
Um exemplo disso é a maneira como é mostrada a religião. Os rituais religiosos, nesses filmes, assemelham-se a práticas Ocultistas. No desenho animado O Príncipe do Egito, os sacerdotes Egípcios surgem fazendo mágicas banais.
É interessante que o telespectador faça sempre uma pesquisa sobre o assunto abordado no filme, procure se interagir sobre o modo de vida no Egito Antigo. Procure dialogar com seus amigos sobre o assunto e escute as diversas opiniões. Vai ser muito interessante. 

Estes filmes estão disponíveis na www.exxafilmes.com.br

28/11/2011

O Óleo de Lorenzo - Resenha Crítica por Tábata Guimarães (cliente Exxa Filmes)


MILLER, George M. O Óleo de Lorenzo; Estados Unidos, 1992.

 (Por Tábata Guimarães)

Esta é uma obra que se baseia em uma história real, abordando uma doença de caráter genético chamada de ALD (Adrenoleucodistrofia).
O autor, George Miller conta a história da família Odone, que tem seu único filho, Lorenzo, diagnosticado aos seis anos de idade, depois de ter alguns problemas de ordem mental, com ALD, que se trata de uma doença genética que afeta o cromossomo X, sendo a mãe a portadora do gene defeituoso, atingindo fundamentalmente pessoas do sexo masculino. A ALD se manifesta atráves de uma enzima defeituosa que deveria metabolizar as gorduras do corpo, não desempenhando sua função, ocorre o acúmulo de  cadeias longas de ácidos graxos no cérebro, liquefazendo a bainha de mielina que recobre os axônios, parte do neurônio responsável pelos impulsos elétricos, sem essa bainha os impulsos elétricos não se propagam, assim os músculos não obedecem os comandos do sistema nervoso, e essa é uma característica dessa doença; a perda dos movimentos do corpo. Progressivamente outros sintomas atingiram o garoto, como perda da fala, visão, dificuldade da deglutição.
Com certeza a parte marcante dessa trama, é a busca incansável dos pais de Lorenzo, Michaela e Augusto Odone, pela cura do garoto e o entendimento de como a doença age. O conhecimento científico para os pais de Lorenzo foi sem dúvida, de enorme valia no tratamento de seu filho, visto que os médicos não estavam cooperando muito na busca de um tratamento para essa doença. Nessa busca acontece o clímax do filme, quando os pais de Lorenzo, com uma pequena parcela de ajuda de médicos, bioquímicos e outros profissionais, conseguem sintetizar um oléo que não permite que os níveis de gordura de Lorezo subam. A partir desse progresso, outros garotos portadores de ALD passaram a tomar o óleo, que ficou conhecido como o Óleo de Lorenzo.
A partir da estabilização desses níveis de gordura, a doença teve uma  desaceleração no seu processo de degeneração, e o próximo passo dos pais do menino é conseguir reimplantar a produção de mielina em Lorenzo para que ele recupere seus movimentos.

* PROIBIDA A REPRODUÇÃO DESTE TEXTO!

Informações sobre o DVD/Filme: (Fonte: http://www.exxafilmes.com.br/detalhes.aspx?id=1318 )

O Óleo de Lorenzo - DVD
Gênero: Drama
Resumo: Nick Nolte e Susan Sarandon, ambos indicados ao Oscar, protagonizam este drama comovente e inesquecível baseado em história real. A dura notícia de que o filho de cinco anos, Lorenzo, tem uma doença terminal rara marca o início de uma missão extraordinária para Augusto e Michaela Odone (Note e Sarandon). A despeito do diagnóstico, os pais se lançam para salvar o filho, enfrentando médicos, cientistas e grupos de apoio que relutam em incentivar o casal na busca de uma cura. O esforço inesgotável dos dois testa a resistência de seus laços de união, a profundidade de suas crenças e os limites da medicina convencional. Nolte e Sarandon apresentam um magnífico desempenho como os pais carinhosos e determinados que levam esperança a muitas pessoas neste grande sucesso aclamado pela crítica dirigido por George Miller.

Diretor: George Miller

Elenco: Susan Sarandon .... Michaela Odone Nick Nolte .... Augusto Odone

Classificação / Faixa Etária: livre

Duração:129 min

Origem: EUA

Idioma: Inglês / Português

legenda: Inglês / Português

Data de Lançamento: 1992

07/11/2011

Viver pela Graça ou pela Natureza? No DVD "A Árvore Da Vida"você terá que fazer essa escolha.


Título:A árvore da Vida
Título original: The tree of life 
Direção: Terrence Malick
País/Ano: EUA, 2011
Com: Sean Penn, Brad Pitt, Jéssica Chastain

(Resenha por: Emanuel Bomfim – Revista Cidade Nova)

     Não há nada de convencional em "A árvore da vida". O cinema do misterioso Terrence Malick, aliás, nunca foi um dos mais tradicionais. Em seu hermetismo, o discurso cristaliza-se sobre variações absurdas na linguagem. Diálogos soltos, narração sussurrada, imagens impressionantes e montagem desconexa: tudo agrega para uma obra que, em si, é puramente sensorial. Buscar uma compreensão mais objetiva, talvez, não seja o melhor dos caminhos. 
     O novo filme, vencedor da Palma de Ouro em Cannes, permite múltiplas análises, mais jamais deixa claro suas intenções. A chave da leitura está, em última medida, na própria mente de cada telespectador. Em muitos casos, a falta de um desfecho apaziguador costuma gerar frustração. Já em "A árvore da vida", fica um sentimento de inquietude e fascínio por ver projetados na tela temas que geralmente são da alma, 
     No centro do enredo temos uma família de classe média dos EUA nos anos 50. Logo no início, sabemos de uma tragédia que se abate sobre eles. Um dos três filhos morre em combate no Vietnã. A dor, ou seja, o encontro com o irreparável será a ponte para conhecermos em profundidade a vida dessa família. Há contrapontos no tempo para esta divagação. Ora estamos com o filho mais velho (Sean Penn) já adulto, num centro empresarial sofisticadíssimo. Em outros momentos, embarcamos na infância dos três meninos e na relação deles com os pais - centro da discussão mais psicanalítica do filme.
     A mãe (Jessica Chastain) é símbolo de beleza, ternura e bondade. Diz, a certa altura: “A menos que você ame... Sua vida passará rapidamente”. O pai (Brad Pitt), no entanto, aplica sua rigidez militar para educar as crianças. Fala em determinação, em “vencer na vida”. A divergência de modelos irá explodir brutalmente nesse filho mais velho e agoniado, a ponto de desejar a morte do próprio pai. Daí surge a indagação de cunho filosófico-religioso de Malick: Devemos escolher viver a vida como graça ou como natureza? Qual é o melhor sentido para definir a jornada do homem na Terra? Inundados por imagens cósmicas que remotam à origem desde o Big Bang, confrontamo-nos com nossa pequenez. No esplendor da natureza, a memória da Criação é o que permite aproximar-mos de Deus. De perto, sentimos o eterno. O tom de oração que marca cada passagem dá significado para essa relação transcedente. Como entender a morte, quando a graça foi escolhida como maneira de viver?
     Foi a partir desse mesmo impasse e angústia que Jó, o servo maltratado, questionou o sentido nas ações de Deus. Não por acaso, Malick retoma uma passagem do instigante livro bíblico  para abrir “A árvore da vida”. Ao fisgar a dor dessa família, criam-se caminhos para entender o sentido da existência e, não distante, a necessidade da esperança.

“Eu fui ver, sinceramente digo o mesmo que o Emanuel acima, o filme te leva a ter novas sensações e imaginar um possível raciocínio lógico, mas logo nos primeiros minutos ele desmonta qualquer linha de pensamento que você tentar raciocinar. Eu diria que o filme é uma viagem para esvaziar a mente e sentir o belo do mistério”. (Kyka Freitas – Exxa Filmes)

15/08/2011

Filme A Árvore da Vida, levanta suspiros no cinema e te leva a uma viagem espiritual.

por Kyka Freitas (Administradora da Exxa Filmes)


“Existem duas maneiras de se viver: a maneira da natureza  e a maneira da graça, nós temos que escolher qual delas seguir,  então se um dia você cair e chorar: entenderá tudo!” (Terrence Malick)


Esse é o principal conceito do filme “A Árvore da Vida”, com Brad Pitt no elenco. Ontem fui ao cinema para asistí-lo, mas antes, reencontro no hall de entrada, um padre amigo meu, e ao ser questionada sobre que filme eu iria assistir, ele me diz: “eu também estou com muita vontade de assistir a este filme, mas precisa ser num dia que você não esteja cansado e que possa prestar muita atenção, porque o filme vai te mostrar um lado muito forte, o espiritual! É preciso estar aberto para isso!”

                                      

Justamente, ele tinha razão: “O filme mais religioso de Terrence Malick trata o contato com o mundo não como pecado, mas como redenção". (Marcelo Hessel) 



Segundo a Bíblia, a Árvore da Vida (verdadeira sabedoria) é uma das duas árvores especiais que Deus colocou no centro do jardim chamado Éden. A outra é a "Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal", de cujo fruto, Eva, e depois Adão, acabaram por comer por influência de uma serpente. (Gênesis 2:9)


O filme “A Árvore da Vida” oscila entre os anos 50 e um futuro não tão distante, aproxima o foco na relação entre pai e filho de uma família comum, O protagonista é Jack (Hunter McCraken na versão adolescente e Sean Penn na adulta), filho do Sr. e Sra. O’Brien (Brad Pitt e Jessica Chastain, respectivamente). Entre a infância e adolescência, Jack era bastante cobrado pelo pai no quesito comportamento. Por que ele nos machuca, o nosso pai?", pergunta o jovem. Talvez seja o luto pelo familiar perdido (o irmão mais novo morre aos 19 anos), talvez seja o rancor por não ter seguido sua vocação, mas o fato é que a educação intransigente do pai, o Sr.O’Brien, desfalca o primogênito até a vida adulta.


Com o passar dos anos, alheio aos dias de hoje, Jack (agora interpretado por Sean Penn) busca aprender nas coisas da vida, qual o seu papel e missão neste mundo. Torna-se uma pessoa solitária, deprimida e cheia de questionamentos, numa briga interna e constante do seu eu com sua família, seu modo de vida e no seu trabalho no mundo moderno. E Deus onde entra nesta hora?

  


Sempre presente na contraluz da hora mágica, a graça divina entra como feixes de luz na natureza em meio às cenas que passam e constroem os anos na vida de Jack. Em alguns momentos, vemos registros grandiosos da criação do mundo com o relato científico do Big Bang o que te leva a esvaziar sua mente e entrar de forma crítica e presente no contexto do filme, nas cenas banais onde Jack se ver sob a opressão de um adulto, seria seu seu pai? Estão num sótão que que te faz lembrar uma capela (onde recebeu os ensinamentos religiosos e que ver o pai aplicar ao longo das cenas)  e nos fatídicos, que mostra um afogamento de um colega de infância numa piscina do clube que frequentam, seria isso  uma forma de batismo?. “Ironicamente, porém, aqui o contato com o mundo não se traduz em pecado, mas em redenção” (Marcelo Hessel – crítico de cinema).
E onde está o lado mal do filme? A tentação? A dúvida entre seguir a força da graça ou da natureza?


Nesta hora temos uma leve lembrança do Livro de Jó: “Disse o Senhor a Satanás: "Notaste porventura o meu servo Jó, que ninguém há na terra semelhante a ele, homem íntegro e reto, que teme a Deus, e se desvia do mal?" (Jó 1:6,8)”. Jó, porém, não blasfemou contra Deus, mas, ao invés disso, ele se levantou, rasgou o seu manto, rapou a sua cabeça e, lançando-se em terra, adorou ao Senhor; e disse: "nu saí do ventre da minha mãe, e nu tornarei para lá. Deus me deu, e Deus tirou; bendito seja o nome do Senhor" (Jó 1:20-21).

  

Quando Jack acha que está se emancipando do pai (ainda adolescente, por volta dos 14 ou 15 anos), ele é convidado a sentir o gosto do "mal" - a vidraça quebrada, a espingarda de chumbo, os foguetes com as rãs - mas, como os pais contam em suas rodas de amigos, esses eventos não são casos isolados, são para ensinar moral: “A câmera do diretor de fotografia Emmanuel Lubezki mimetiza, com seu constante vaivém, essas forças de atração e repulsa - como o balanço de madeira preso na árvore, que oferece mais perigo e mais recompensa quanto maior for seu arco” (diz Hessel)
Livro de Jó 38: “Quem pôs a sabedoria no íntimo, ou quem deu à mente o entendimento?

  

  
O filme em seu andamento expande a ótica desta rica relação, ao longo dos séculos, desde o Big Bang até o fim dos tempos, em uma fabulosa viagem pela história da vida e seus mistérios, que culmina na busca pelo amor altruísta e o perdão. O Diretor Mallick planejava fazer o filme desde 1970, quando notou as primeiras mudanças na vida das pessoas em relação à percepção de Deus e do mundo. Logo no comecinho do filme, vemos o diretor fazer o questionamento: “Existem duas maneiras de se viver: a maneira da natureza  e a maneira da graça, nós temos que escolher qual delas seguir”.  Ainda poderia dizer que você tem a escolha de passar pela porta larga ou a estreita. É possível viver o caminho da natureza, mundano, que satisfaz a si mesmo, ou o caminho da graça, absoluta e universal. Ao longo de 139 minutos, contudo, A Árvore da Vida nos sugere que esses dois rumos são complementares.


 A Árvore da Vida (The Tree of Life), vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes, é o novo filme do cineasta Terrence Malick (O Novo Mundo). Vale muito a pena conferir! Eu adorei. 





Informações Técnicas:
Título no Brasil:  A Árvore da Vida
Título Original:  The Tree of Life
País de Origem:  EUA
Gênero:  Drama
Classificação etária: 10 anos
Tempo de Duração: 139 minutos
Ano de Lançamento:  2011
Estréia no Brasil: 12/08/2011
Site Oficial:  
Estúdio/Distrib.:  Imagem Filmes
Direção:  Terrence Malick

Elenco: Brad Pitt ... Sr. O'Brien
Sean Penn ... Jack
Jessica Chastain ... Sra. O'Brien
Hunter McCracken ... Jack