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02/09/2010

O Tal do Blu-Ray Pirata



29 de Julho de 2010 @ 11:00 - Moa 

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Conforme matéria publicada na Revista VER VÍDEO nrº 205 de Agosto 2010.
Os camelos estão vendendo Blu-Ray pirata por R$ 20,00, na mídia de DVD de 8 gigas.
Um filme em Blu-ray normalmente tem o tamanho de 30 gigas, ou seja você compra um filme em Blu-Ray e leva um em DVD.
Será que os Brasileiros ainda pensão que estão levando vantagens nesse tipo de compra?
Como aquela propaganda do Gerson que dizia: Leve vantagem você também, Leve Vila Rica(cigarro).
Num país onde uma pessoa é atropelada, e o papai vai pagar dinheiro aos policiais para abafar o caso, e só volta atrás porque fica sabendo que é o filho de uma pessoa famosa.
Imagine se fosse o filho de um Brasileiro comum! Será que ele gostaria que fizessem isso com o filho dele?
É como eu disse antes, até quando vamos viver no país dos Gersons!


comentário de um leitor intitulado G-ZUZ: (vejam o que ele diz)

Chegou o Blu-ray pirata. E agora? O q vc acha disso? Dê uma olhada!!!?

Sabe o Blu-ray, aquele disco de alta definição que é o sucessor do DVD? Os criadores dele passaram os últimos anos se vangloriando - dizendo que o Blu-ray tem proteções muito avançadas, é quase impossível de piratear, etc e tal. Ah, pra quê... Acaba de surgir, por enquanto só na China mas logo em um camelô perto de você, a versão pirata do Blu-ray!

Veja só o truque. Já existe um programa que permite copiar os filmes em alta definição, só que não compensa gravar isso numa cópia pirata - pois o Blu-ray virgem é caro pra cacete (aqui no Brasil, uns R$ 70). O que fazem os piratas? Comprimem o vídeo e gravam num DVD comum, que custa 1 real. O disco roda em quase todos os players de Blu-ray, e tem uma qualidade impressionante. Não é idêntica à do Blu-ray (1080 linhas), mas é muito boa: são 720 linhas de resolução.

E agora? Moralmente, a coisa é errada e ponto final. Mas eu acho que, em outros aspectos, o Blu-ray pirata pode ter consequências positivas. Para a tecnologia, é um baita avanço - finalmente, alguém conseguiu gravar vídeo de alta definição em discos comuns. Para o mercado, é uma ajudinha: os filmes piratas vão deslanchar as vendas de tocadores Blu-ray (que estão patinando há 3 anos). E para os estúdios, um alento - depois de experimentarem os filmes em 720 linhas, quem sabe os consumidores não se animam a comprar as versões oficiais, de 1080? E aí?

31/07/2010

A Pirataria Venceu???

Postado por: PDL  /  Categoria: Informação e CulturaPapo Cabeça
cabealhosuper [Papo Cabeça] A Pirataria Venceu
Reportagem por Bruno Garattoni extraída da Revista Superinteressante de Junho de 2009 pelo blog EbooksGrátis.
“Não se iluda com a condenação do Pirate Bay. A indústria do entretenimento percebeu que não adianta combater a troca ilegal de músicas e vídeos na internet. E já aposta numa estratégia radical: liberar tudo.”
Você já bastou alguma coisa pirata da internet? Pode confessar… você não é o único. No Brasil, 45% das pessoas com internet em casa têm o hábito de roubar músicas, filmes, softwares e programas de TV. Se você è um deles, talvez já tenha sabido da noticia: os criadores do Pirate Bay, o mais famoso site de downloads piratas, finalmente levaram a pior. Depois de passar os últimos anos desafiando a lei e fundar até um partido político, eles foiam multados em USS 3,6 milhões e condenados pela Justiça da Suécia, onde moram, a um ano de cadeia. No dia seguinte, os estúdios de Hollywood e as multinacionais da música festejaram a vitória como o inicio de uma nova era: a guerra contra a pirataria na internet, que se arrasta há quase 10 anos, finalmente começou a ser ganha. A farra dosdownloads começou a acabar. Certo? Errado. Na verdade, aconteceu o contrário. A pirataria está maior e mais forte do que antes – tão mais forte que a indústria do entretenimento resolveu mudar de estratégia e abraçar uma proposta radical: quer parar de vender as músicas e liberar osdownloads na internet. E existe uma avalanche de motivos para isso.
Pirate Bay, por exemplo, não só não saiu do ar como sua audiência cresceu 10%. E a condenação, da qual os piratas estão recorrendo em liberdade, foi uma verdadeira bênção – pois colocou a pirataria no centro das discussões e deu um baita empurrão ao Partido Pirata (Piratpartiet). O partido, que em 2006 tentou e não conseguiu eleger um representante, agora é o 2a mais popular entre os jovens da Suécia e tem 5,1% das intenções de voto – o que em tese é suficiente para garantir uma vaga no Parlamento Europeu, que será escolhido no dia 7 de junho. Se eleitos, os piratas vão lutar para mudar as leis que regulam a troca de arquivos na internet. E há um consenso cada vez maior, entre juristas e autoridades de todo o mundo, de que elas realmente precisam ser revistas.
Pois, do jeito que são hoje, transformam qualquer um em criminoso – até mesmo o presidente dos EUA. Ao visitar a rainha Elizabeth 2º, em abril, Obama deu a ela um iPod carregado com 40 músicas (eram trilhas de musicais americanos, como Cabaret). Só que a legislação atual não só proíbe a copia de cds para a memória do iPod como também impede que as músicas baixadas legalmente da internet [em sites como o Apple iTunes Store] sejam redistribuídas a outras pessoas. Tecnicamente, o presente que Obama deu para a rainha é ilegal.
Absurdo, não? É por isso que, mesmo depois de processar 50 mil internautas, a indústria do entretenimento não consegue frear a pirataria. Está tentando criminalizar práticas que já se tornaram corriqueiras. “Cada vez mais a conduta normal está sendo reconhecida como ilegal, isso desmoraliza a lei, porque as pessoas se vêem como criminosas e começam a se acostumar à ideia”, diz Lawrence Lessig, professor de direito da Universidade Stanford, em seu livro Remix (ainda sem tradução em português). As autoridades já perceberam isso. E começaram a mudar de postura.

Baixado não é roubado

Na China, onde 99% da música é pirata, o governo acaba de instituir uma lei que anistia os provedores de internet – que não serão responsabilizados pelo que seus usuários baixarem ou deixarem de baixar. A União Européia rejeitou um projeto para cortar a internet de quem faz downloads ilegais. Autoridades alemãs decidiram que só vão julgar, em eventuais processos, quem tiver baixado mais de 3 mil músicas ou 200 filmes (o resto será ignorado). A Associação Brasileira de Direito Autoral já afirmou que não vai perseguir judicialmente os fãs de download. E nos EUA, a Justiça abriu um precedente histórico: derrubou o principal argumento de estúdios e gravadoras e reconheceu que um download ilegal não eqüivale a uma venda perdida (pois quem está baixando um filme ou música de graça não iria, necessariamente, aceitar pagar por aquele produto).
Isso significa que, para a Justiça, roubar um arquivo digital não é mesma coisa que roubar um objeto físico, como uma laranja ou um carro. É um delito menor. Péssima noticia para a indústria do entretenimento, que sentiu o baque – e bem antes que as fábricas de automóveis tivessem de ser socorridas pelo governo dos EUA Já tínha ido pedir uma ajudinha a ele.
No fim de 2008, com a pirataria dizimando o setor (que já é 30% menor do que na década passada), a multinacional Warner criou um plano de salvação: legalizar a pirataria. Todo mundo poderia baixar e compartilhar o que quisesse, da maneira que bem entendesse. Em compensação, seria criado um imposto sobre os downloads. Cada usuário de conexão de banda larga seria obrigado a pagar USS 5 mensais. Parece um bom negócio para você? Para as gravadoras, seria bom até demais: daria uma arrecadação, só nos EUA, de USS 20 bilhões por ano – o dobro do que a indústria da música fatura hoje, o valor foi considerado alto, a crise chegou e a ideia não foi adiante.
Até que o Google resolveu pagar a conta. Ele fez acordos com as gravadoras e vai lançar um serviço em que será possível baixar, de graça e sem restrição, um acervo com 1,1 milhão de músicas, tudo custeado pelo Google, cujo objetivo é ganhar audiência e vender publicidade com isso – uma pesquisa revelou que na China, país onde o serviço vai estrear (e um dos poucos onde o Google não é líder), 84% das pessoas buscam sites de mp3 pirata. Se o próprio Google fornecer as músicas, vai virar o preferido dos chineses. Agora nós oferecemos um serviço integrado, com todas as peças“, afirma Kai-Fu Lee, diretor do site na China.
O Google não tem planos, ao menos por enquanto, de estender a boca-Livre a outros países. Mas outras empresas já abraçaram a idéia. Cansados de lutar contra os do downloads ilegais, vários canais de TV por assinatura cormeçaram a exibir sua programação de graça na internet. E, ao comprar um modelo de celular da Nokia, você ganha o direito de baixar quantas músicas quiser – de um acervo com 3,6 milhões de faixas mantido pela empresa, que subsidia tudo pagando uma taxa de R$ 135 às gravadoras (e recupera o dinheiro na venda do aparelho). Essa é a tendência. O entretenimento esta deixando de ser um produto pago para se transformar em serviço gratuito – cujo propósito é apenas estimulara venda e o uso de outros produtos e serviços. Pode parecer um final triste. Mas, para uma coisa que já tinha perdido o valor comercial, é uma grande volta por cima.

O que Neil Gaiman pensa sobre a pirataria?

Postado por: PDL  /  Category: Informação e CulturaPapo Cabeça

O vídeo abaixo não é novo. Ele é parte de uma entrevista dada por Neil Gaiman na Flip de 2008, mas assim como eu não o conhecia, acredito que muita gente também estará vendo pela primeira vez.
Ao ser perguntado sobre sua opinião quanto a seus livros estarem disponíveis de graça na internet, Gaiman disse que isso não o incomoda. Pelo contrário, ele teria medo se as pessoas não pudessem lê-los de forma alguma. “O inimigo não é a idéia de que as pessoas estão lendo livros de graça. Ou lendo na internet de graça. Da minha perspectiva o inimigo é as pessoas não lerem.”
Confesso que ao assistir fiquei surpreso e contente por um escritor de tamanha envergadura apresentar uma opinião tão coerente e sensata. Então o autor do Sandman seria um socialista despreendido? Claro que não. Segundo ele, ninguém conhece um novo autor indo a uma livraria e comprando um livro desconhecido. As pessoas conhecem seus autores primeiro lendo de graça, por indicação de um amigo, pegando na biblioteca, etc. Depois, elas certamente desejarão adquirir o livro impresso.
Certo barões da indústria acreditam que cada download é um exemplar que deixa de ser vendido. Quanta miopia.  Estão há décadas no mercado e ainda não nos conhecem. Não sabem que para nós um livro é mais que um amontoado de letras que pode ser digitalizado e lido sem pagar nada. Não sabem que nossos livros têm valor sentimental e simbólico. Que cada exemplar que conseguimos comprar é como se materializassemos um pedacinho de nós mesmos para colocar na estante. Será que alguém convida os amigos para, orgulhosamente, exibir seus últimos livros baixados da internet? Ou sonha com o momento de ler sua coleção de livros piratas para seus filhos? Ou, ainda, presenteia uma pessoa querida com um livro em PDF e com uma dedicatória escrita no corpo de texto do e-mail?
Assim como Neil Gaiman, penso que se suas condições econômicas permitirem, as pessoas comprarão os livros que amam. E se elas não gostarem, não vão comprar. Afinal, porque não podemos cuspir parte do que sempre nos empurraram goela abaixo?
Acredito que os livros da internet são capazes de estimular a venda de livros impressos, formar novos leitores  e despertar o prazer pela leitura, que é como o prazer do sexo: o virtual até pode quebrar um galho, mas nada substitui o toque, o cheiro, o estar perto. E nada substitui a sensação de possuir.
Texto Por Marcus Vinícius em Cultura Digital
Transcrição da resposta:
Isso realmente não me incomda.
Obviamente eu preferia estar em um mundo em que as pessoas pudessem ter sua dose dos meus quadrinhos por meios mais legítimos e que isso de vez em quando pagasse o meu jantar.
Dado que não há canais legítimos lá fora, acho que seria muito ingênuo da minha parte me opor.
(…)
Ontem no almoço, Zoe Heller, grande autora e muito inteligente, veio até mim e disse: “Alguém me deu esse livro e são uma pessoas que acham que os livros devem circular e quando você termina de ler deve dá-los a alguém. E não sei o que pensar disso, porque  de certa forma eu sobrevivo das pessoas comprarem novos livros.”
E eu disse: Zoe, nenhum de nós descobriu seus escritores favoritos comprando seus livros. Não é como isso acontece. Vocês aqui. Você provavelmente tem um escritor favorito. E a resposta é que vocês descobriram seu escritor favorito quando alguém disse: “Tome, eu acabei de ler esse livro, é bom e você vai gostar”. Ou você pegou o livro da prateleira de alguém e disse: “Isso parece interessante. Posso pegar emprestado?” Ou você encontrou na biblioteca. Ou alguém esqueceu no trem.
É assim que as pessoas descobrem seus escritores favoritos.
Não o descobrem entrando numa livraria e dizendo: “Vou comprar este livro novo de capa dura!”
Acaba sempre acontecendo que novos autores  e autores famosos começam sendo descobertos acidentalmente quando você tropeça neles.
E são como aquela primeira dose de heroína e sem perceber você está descendo a rua para comprar tudo o que aquele cara já escreveu.
E até onde me interessa, qualquer maneira de fazer os livros circularem é legítima. Eu amo o fato das pessoas estarem dando livros que de outra forma ficariam esquecidos em uma prateleira.
E certamente eu não acho que algum desses leitores seja uma venda perdida. Porque da minha perspectiva o inimigo não é a idéia de que as pessoas estão lendo livros de graça. Ou lendo na internet de graça.
Da minha perspectiva o inimigo é as pessoas não lerem.
Qualquer pessoa lendo algo de graça da internet ainda faz parte da minha tribo.
A tribo das pessoas que lêem.
E se eles passarem adiante por fazerem parte dessa tribo eles querem esses livros para si.
Eles vão querer os livros de verdade. Eles vão querer comprar as versões de capa dura. Eles vão querê-los. Porque eu quero. E isso é uma coisa boa.